Sorte do dia

29/04/2011

‘Tis conceptionale
te exceedingly revere oneselfe
and ones deedes
and ones þoughtes
and ones talentes
…whilst gruesomely abhorring
ones being alive

C.R.S. Melo

Figuras de retórica alemãs – I

30/03/2011

Persuadir é prática vulgar em qualquer sociedade, desde o início dos tempos. De recursos à emotividade e à paixão dos destinatários da mensagem para fins de persuasão servem-se fartamente os falantes ou escritores de qualquer língua que compartilhe – ou não necessariamente – da tradição literária greco-romana. Naturalmente não se põem de fora da relação as nações de língua alemã (em especial Alemanha e Áustria, berços de escritores sobrefamosos como S. Zweig, F. Schiller, inter alios), beneficiárias de favorável localização geográfica, além de aprazível ambiente cultural, a partir do século 17.

Figuras de retórica (ou ‘figuras de linguagem’, ou ainda ‘figuras de estilo’) são meios de tornar um texto ou uma fala mais vivos, pitorescos, claros. Comparem-se, por exemplo, as sentenças “Em meu mandato haverá grande fartura.” e “Em meu mandato, engordarão como porquinhos as criancinhas, jorrará o mais puro e forte leite das fazendas e será nosso povo como uma legião de gigantes guerreiros da nação!”. A primeira sentença anuncia de forma desinteressante e pouco convincente uma inverdade política. A segunda desperta no ouvinte um rol de emoções fascinantes, que o faz se entusiasmar com a mesma inverdade política. Em alemão, não diferem substancialmente as figuras daquelas encontradiças em nossa língua.

A seguir estão relacionadas por ordem alfabética (em sua denominação alemã, seguida da trasladação portuguesa) as figuras de retórica mais utilizadas no alemão padrão contemporâneo:

i) Alliteration (aliteração): repetição de palavras iniciadas em consoantes semelhantes ou iguais em frases ou versos. Na fala cotidiana alemã há bons exemplos, como mit Kind und Kegel (aproximadamente o que em partes de Brasil se diz ‘de mala e cuia’, ‘com todos seus pertences’), ou bei Wind und Wetter (aproximadamente o que em Brasil se diria ‘chova ou faça sol’). Na literatura alemã, há bom exemplo de aliteração em R. Wagner: ‘Weia! Waga! Woge, du Welle, walle zur Wiege! Wagala weia! / Wallala weiala weia!‘ (pelo caráter altamente teatral do texto, é preferível não o corromper com tentativas de tradução);

ii) Anakoluth (anacoluto): consiste em ‘quebrar’ a estrutura da sentença, à semelhança do que ocorre com frequência na linguagem falada. Desvia-se um pensamento inicial introduzindo outro sem completa relação com o anterior. O poeta alemão Christian Morgenstern dá-nos um bom exemplo dessa figura: ‘Korf erfindet eine Mittagszeitung, welche, wenn man sie gelesen hat, ist man satt.‘ (em tradução livre: ‘Korf criou um jornal do meio-dia, e quem o lê dele se enche’);

iii) Anapher (anáfora): basicamente a repetição de palavras ou grupos de palavras no início de cada verso, de modo que se intensifique seu sentido ou se chame atenção para ele. Exemplo: ‘Wer kann die Sonne schauen, wer kann denn ihr trauen, wer weiß wie groß sie ist, wer weiß ob sie vergisst‘ (em tradução livre: ‘Quem pode olhar o sol, quem pode nele confiar, quem sabe quão grande é, quem sabe se ele esquece’);

iv) Antiklimax (anticlímax): o nome revela o propósito da figura, que é o de marcar o decréscimo de entonação figurativa em um trecho (naturalmente o oposto do clímax): ‘Eines Tages war ich König, bald darauf besaß ich keinen Pfennig, heute bin ich bloß wahnsinnig‘ (Um dia fui rei, logo não tinha um tostão, hoje sou um simples louco).

Fontes:

WIKIPÉDIA ALEMÃ. Desenvolvido pela Wikimedia Foundation. Apresenta conteúdo enciclopédico. Disponível em: http://de.wikipedia.org/wiki/Stilmittel. Acesso em 30 de março de 2011.

WOLFRAM, Friedrich. Deutsch Grammatik. Köln: Buch und Zeit Verlagsgesellschaft mbH, 2004. 360p.


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